Movidos pelo atual cenário de descaracterização da cultura
do povo caiçara, pesquisadores do Instituto Costa Brasilis idealizaram o projeto
“Com quantas memórias se faz uma canoa”, que tem por objetivo preservar
a memória da cultura caiçara através do cadastramento e registro
histórico das canoas “de um só pau” no município de
Ubatuba.
O processo de desenvolvimento econômico e turístico e a especulação
imobiliária sofrida pela região costeira do Brasil nas últimas
décadas, vem causando a degradação ambiental e a perda de identidade
das comunidades caiçaras, que acabam por se desviarem de suas atividades de pesca
e passam a exercer atividades desvinculadas de suas raizes. Assim, surge a necessidade
do resgate cultural e histórico destas comunidades.
O projeto em questão representa uma iniciativa para a preservação
da memória da cultura caiçara de Ubatuba e o foco voltado para as canoas
foi motivado por este tipo de embarcação ser um elemento central para
o povo caiçara. A canoa é um meio de transporte tradicional e um dos principais
instrumentos da pesca artesanal. Além disso, cada canoa tem sua história
(sentimental, aventureira, anedótica, etc.) que representa os costumes e as tradições
caiçaras.
O projeto está estruturado em 4 fases: na primeira jovens caiçaras serão
selecionados e treinados para participarem do projeto; na segunda fase os trabalhos
de campo para cadastramento das canoas e registro histórico serão realizados;
em uma terceira fase os produtos culturais serão confeccionados; e na quarta,
concomitante as duas anteriores, o projeto e seus produtos culturais serão divulgados.
Segundo a coordenadora do projeto, a Dra. Márcia Regina Denadai, ao final do
projeto serão produzidos um banco de dados virtual interativo de livre acesso
sobre as canoas e seus registros históricos e um livro ilustrado que compilará
os dados obtidos. “Com isto, pretende-se colocar o assunto das canoas e, consequentemente,
do momento vivido pela cultura caiçara, em voga no município de Ubatuba
de forma a se promover uma discussão profunda e uma mobilização
a respeito de seus destinos”, completa a Dra. Márcia.
Esse projeto foi um dos 232 contemplados, dentre 4674 inscritos, pelo “Programa
Petrobrás Cultural”. Conforme as regras do programa, o projeto passou também
por aprovação do Ministério da Cultura, através da Lei de
Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
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